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Um ano da vitória de Macri, um marco histórico para a democracia







Em 25 de Outubro de 2015, o liberal Mauricio Macri era eleito presidente da Argentina. Venceu com pouco mais de 53% dos votos, contra 47% do derrotado Daniel Scioli. Foi uma grande vitória da democracia. Foi o primeiro candidato não peronista à vencer uma eleição em cem anos. 

Macri conseguiu o feito inédito ao ter chegado ao segundo turno, desbancando as pesquisas que projetavam a vitória de Daniel Scioli no segundo turno. Teve que enfrentar a monstruosa máquina kirchnerista, que jogou pesado com os veículos oficialistas, classe artística e formadores de opinião aliciados pela presidente Cristina Kirchner. Como se o peronismo não fosse um adversário duro, Macri ainda teve que enfrentar inimigos externos. Governos bolivarianos começaram a sinalizar que “as relações ficariam estremecidas caso um neoliberal vencesse as eleições”. Acadêmicos latino americanos começaram a falar em “retrocesso”.

Outro obstáculo foi a guerra das narrativas. O candidato teve que driblar o discurso de ódio de seus adversários, uma miríade de grupos políticos que reunia desde velhos caciques argentinos até a extrema-esquerda. Todos com o discurso de que Macri iria acabar com programas sociais, que era o candidato dos ricos. Um discurso bem familiar para os brasileiros. Em diversos momentos, a campanha de Macri denunciou o jogo sujo da coligação Frente Pela Vitória. Mensagens anônimas era disparadas via SMS e whatsapp, alertando a população para “coisas terríveis que iriam acontecer após a vitória de Macri”. A coincidência com a campanha suja movida pelo Partido dos Trabalhadores contra Aécio Neves não se dá por acaso. O responsável pela campanha de Macri era o marqueteiro João Santana, que atuou na campanha de Lula à reeleição e nas duas campanhas de Dilma Rousseff. O marqueteiro foi preso no começo do ano na Operação Acarajé, no âmbito da Lava Jato. Ele e sua esposa relataram o envolvimento de Lula, Dilma Rousseff e outras lideranças do PT com o esquema criminoso operado na Petrobras e Odebrecht, que envolve também governos estrangeiros.

O adversário de Macri não era propriamente Daniel Scioli, um empresário que se candidatou apenas para garantir o continuísmo do nefasto kirchnerismo. O adversário era Cristina, a viúva que junto com o marido Néstor transformou a Casa Rosada em um covil de ladrões. Cristina sucedeu o marido na presidência e nos crimes, fazendo negociações com o Irã, operando esquemas criminosos de compra de parlamentares e cobrança de propinas.

A senhora K também formou um cartel de empresários amigos que eram beneficiados pelo governo, além de ter tomado parte em negociações obscuras com empreiteiras brasileiras. Para coroar seu legado de crimes, está relacionada a um dos episódios mais nefastos da história política argentina: o assassinato do promotor Daniel Nisman. Foi ele que concluiu que o acordo com o Irã tinha como pano de fundo a chantagem do governo de Cristina, que usou a negociação como moeda de troca para encobrir a participação de diplomatas do país no atentado à Associação Mutual Israel-Argentina (AMIA).

Com um adversário desses, há sempre o temor de que algo de errado aconteça. No entanto, o partido Proposta Republicana e a coligação Cambiemos lograram êxito em fazer triunfar a democracia. Foi uma campanha suja do lado dos esbirros de Cristina, mas foi um grande êxito por parte dos democratas. Assim como Doria fez em São Paulo, Macri venceu as eleições prometendo privatizar o que fosse necessário, além de garantir que o governo não iria mais maquiar dados econômicos.

Como efeito dessas mudanças, o primeiro ano do governo Macri não foi fácil. O governo teve que abrir a caixa-preta deixada por Cristina. Descobriu-se que a inflação era bem maior do que o relatado oficialmente, como já suspeitavam vários analistas argentinos e estrangeiros. A inflação de 2015 é um dos exemplos de manipulação. A pobreza extrema foi a quase 30%, enquanto o governo gastava 36% do orçamento com subsídios, 4,8% apenas para transporte e energia. O governo previu 14,4%, enquanto analistas independentes afirmaram que passaria dos 25%. Fechou em 30%. Ciente de que a verdade era incomoda, a presidente Cristina resolveu baixar um decreto que proibia que grupos independentes avaliassem a inflação.

Não foi a única censura praticada em seu governo. Ela também se voltou contra a imprensa, baixando a famigerada Ley de Medios. Além de restringir as concessões de rádios e tvs, o governo se voltou contra a imprensa escrita proibindo que uma mesma empresa possuísse mais de um veículo. Para asfixiar a mídia, ela estatizou a produção de papel jornal e proibiu a importação do produto. Os beneficiados foram os oficialistas.

Uma das promessas eleitorais que mais merece destaque é o fim do alinhamento da Argentina com os países bolivarianos, em especial com a Venezuela. Macri já chegou na Casa Rosada impondo ordem, exigindo que Maduro respeitasse a cláusula democrática do Mercosul caso quisesse permanecer no bloco. A posição de Macri foi desdenhada por seus críticos no começo, mas começou a ganhar força devido a mudança política na região. Macri começou contando com o apoio solitário de Horácio Cartes, do Paraguai. Mais tarde veio o impeachment de Dilma Rousseff, abrindo caminho para Michel Temer e o novo chanceler José Serra. Apesar de socialista, Serra é ferrenho opositor do bolivarianismo. Apesar de não fazer parte do bloco, o novo presidente do Peru Pedro Pablo K uczynski também é um nome que se opõe ao governo autoritário de Maduro, aumentando ainda mais a pressão contra a Venezuela. Correndo por fora, há o esquerdista Tabaré Vasquez. O presidente do Uruguai também está se alinhando com Argentina, Paraguai e Brasil. 

Essa não foi a única mudança positiva de Macri. Sob seu governo, a Argentina reestruturou as relações com o estado de Israel, abaladas por conta do pacto de Cristina com o Irã e com as descobertas de ocultação de provas contra os envolvidos no atentado da AMIA. Macri também reaproximou a Argentina dos Estados Unidos, além de garantir o fim do protecionismo contra produtos brasileiros. Essa mudança marca o começo da guinada da América Latina rumo ao liberalismo. 

Macri teve que enfrentar essa pedreira. Desregulamentou o câmbio artificial, privatizou a Aerolíneas, acabou com a Ley de Medios, cortou subsídios e acabou com a maquiagem oficial nos dados econômicos. O país que Macri desnudou foi um país pobre, arruinado pelo populismo de Cristina. Se por um lado a descoberta da realidade o obrigou a tomar medidas amargas (que minam a popularidade), por outro lado há que se considerar o que é melhor: ter a simpatia dos extremistas da Cámpora e das Mães da Praça de Maio ou fazer o que é correto? Ser amigo do Papa Francisco e ser bajulado na Folha de São Paulo ou tirar o país da miséria e do atraso?

A vitória de Macri não foi aceita pela extrema-esquerda, que tentou até impedi-lo de tomar posse. Cristina ficou amuada, não quis nem entregar a faixa. Macri foi empossado pelo presidente do Senado. Os primeiros reflexos de seu governo e suas medidas “neoliberais” foram o retorno do investimento estrangeiro, o resgate da confiança nos mercados e acordos com grupos empresárias que irão gerar milhares de empregos diretos e indiretos no país, como Ryan Air, Coca Cola e Disney. Também acabou com as mordomias da monstruosa Cristina. Vendeu a frota de carros importados da presidência, substituindo por uma quantidade menor de veículos. Mas apenas modelos populares nacionais. Também vendeu a frota de aviões presidenciais. Em sua primeira viagem como presidente, Macri foi ao Fórum Mundial de Davos, na Suíça. Enquanto ele viajava na classe econômica, a então presidente Dilma Rousseff foi até o Fórum Mundial de Porto Alegre se reunir com os bolivarianos e extrema-esquerda internacional. Viajou na aeronave presidencial, com sua comitiva imperial.

Enquanto Macri tenta se livrar dos parasitas, sua antecessora está enrolada com a justiça: réu em diversos casos de corrupção, terá que explicar a ocultação de um complexo hoteleiro de luxo na Patagônia, além de um cofre com 4,6 milhões de dólares encontrado na residência de sua filha. Isso e a morte do promotor Nisman. Agora ela diz que é vítima de perseguição por parte da Justiça argentina, “só porque lutou pelos pobres”. Faz o mesmo que Lula, que esteve na Argentina gravando vídeos e subindo no palanque do derrotado Daniel Scioli. Não é razoável chamar ninguém de herói ou coisa que o valha, mas Macri conseguiu derrotar dois Lulas ao mesmo tempo. Seu nome já está na história.


                                                                                                                                          
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