Ads Top

Não dá para ser isento com o mal jornalismo




O jornalista Caio Blinder fez o seguinte comentário na Rádio Jovem Pan, tratando sobre a isenção no caso das eleições americanas. O comentário também está no blog do jornalista.

 Eu sou cobrado por gente isenta e não isenta para que seja “isento” no que falo e escrevo sobre a eleição americana. Perdão, não existe o outro lado. Existe Donald Trump e ele é o lado errado.Mas, e a Hillary? Ora, ela hoje é o muro que nos protege da ameaça à civilização. E devemos usar a primeira pessoa do plural, pois o candidato republicano é uma ameaça a todos nós, ao mundo. E o Bill Clinton? Quem? Ele não é candidato a presidente dos EUA.
Mas, e os vazamentos Wikileaks, desmascarando Hillary, a farsante? Estou chocado, chocado. Hillary é uma política que mente, tem um discurso privado e um outro público. E, então? Patético e vexaminoso que tanta gente se delicie com os vazamentos, produzidos por um eixo que combina o serviço sujo de Julian Assange e Vladimir Putin para a campanha de Trump. Sim, este é o eixo da nova desordem mundial: Assange, Putin e Trump. Se eles estão do mesmo lado, é o lado errado. Devemos urgentemente cerrar fileiras contra este eixo.
Trump é mais do que um supositório retórico. Trata-se de uma ameaça genuína e a mais perigosa hoje em dia é o fato dele não aceitar a legitimidade da ordem democrática com suas hipérboles de que uma vitória de Hillary Clinton será uma fraude. O esgoto conspiratório de Trump não tem fundo, assim como sua diarréia verborrágica.
E se ele ficasse na verborragia, seria um mero, embora sórdido, reality-show. No entanto, Trump é esta ameaça em tantos níveis e em tantas dimensões. Eu poderia elaborar analiticamente, mas neste momento precisamos ser pessoais e passionais. Então, vamos lá.
Trump me ofende e por ele sinto repulsa por uma pilha de motivos. Sou jornalista e ele ameaça a imprensa inclusive com incitamento à violência contra repórteres que cobrem seus comícios.
Trump denigre minorias e mulheres. Eu sou brasileiro (latino), judeu, casado com uma filipina e pai de duas mulheres. Trump fede autoritarismo. Trump me insulta, pois eu sou um ser humano.
Denunciar Trump sem tréguas é uma emergência, não uma postura partidária ou ideológica. Basta ver o tom do historiador Sean Wilentz (professor da Universidade de Princeton). Gostei do termo no ataque direto: Trump é um “babaca choramingão”. No entanto, de novo, mais sinistro é o fato que ele represente a degradação, uma tentativa de “estupro” da democracia e não apenas de mulheres.
Parafraseando Lula, nunca na história dos EUA houve um candidato como Trump. Temo que não seja o último desta estirpe.

Caio Blinder chama uma sociopata de “muro que nos protege da ameaça à civilização”. Diz que se preocupa com as mulheres, supostamente ameaçadas por Trump. Mas no mesmo texto diminui os crimes sexuais praticados por Bill Clinton. Afinal de contas, diz o embusteiro, não é ele que irá ocupar a Casa Branca. Quase o mesmo que ouvimos quando Dilma Rousseff se candidatou à presidência da República em 2010. Acha que Hillary é democrática e cita a violência nos comícios de Trump, que como foi noticiado hoje em diversos jornais independentes, tem sido incitada por militantes democratas justamente para manchar ainda mais a candidatura de Trump. Isso sem falar nos ataques a comitês republicanos na Carolina do Norte. Ataques que poderiam ter deixado mortos ou feridos. Uma bobagem para o pacifista Caio Blinder.  

Verdade seja dita, Caio Blinder não mente neste texto. Não, o que ele faz é tornar claro o seu cinismo, sua baixaria e sua dissimulação. Blinder admite crimes praticados por Hillary, reconhece suas mentiras e recrimina quem ousa se escandalizar com o teor dos vazamentos do Wikileaks. Para o suposto jornalista, a fonte (Julian Assange), não desabona Hillary como candidata. Tudo porque o adversário é Trump. E é claro, reconhece de maneira sórdida que suas análises são enviesadas, que terão um lado estabelecido independente da realidade. Sendo assim, Caio Blinder não deve ser visto como um jornalista, mas sim como um contador de estórias. 

Trump, que foi e é reprovado por boa parte dos conservadores, se torna uma excelente opção se comparado à Hillary Clinton. É que há grande diferença entre um tio fanfarão que insiste na piada do pavê e o serial killer elegante e bem sucedido que mata ruivas. Se o primeiro tipo é desastrado, inconveniente e tosco, o segundo irá te apunhalar pelas costas e beber seu sangue sem ao menos sentir remorso. O que se espera de seres humanos é que tenham noção desta diferença. Não dá para ser isento com esses crimes, nem com quem releva a natureza monstruosa porque esta vem em uma bela embalagem. E olha que no caso de Hillary, a embalagem nem é tão boa assim.


O Alexandre Borges já havia feito uma constatação:Nada tira tanto esquerdista enrustido do armário quanto eleição americana. Nada. Só podemos concluir que o suposto jornalista praticaria os mesmos atos de Hillary, caso estivesse inserido nos mesmos contextos e tendo às mãos as mesmas possibilidades. Este tipo de formador de opinião deve ser jogado na lata de lixo da história juntamente com os objetos de sua devoção. 
Tecnologia do Blogger.