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Nossa fina flor intelectual, os "historiadores pela democracia"







Por William Faramond

Há algum tempo observo a vida acadêmica de nossos professores de humanidades pelas redes sociais. Antigamente as opiniões de nossa intelligentsia só apareciam nos meios oficiais, seja nas mídias tradicionais, ou nas das universidades. Hoje podemos conhecer melhor nossos educadores sem os filtros que muito deles colocam para se adaptar ao politicamente correto. Neste caso, podemos ver como esse alto clero segue em seu mundo a parte, cada diz mais se distanciando do resto da população.

Interessante são as várias polêmicas que surgem na rede social, hoje vemos nossos professores de humanidades numa cruzada religiosa em pró do PT, que começou com decadência do governo Dilma. Nossos intelectuais orgânicos a serviço de uma causa que já não existe mais. Entretanto, viver de ilusão ainda é um bom negócio, pois permite nos adaptar sem muitos questionamentos a realidade.

Nessa ilusão surgiu à tese de “Golpe”, está acabou gerando um movimento pelego chamado “historiadores pela democracia” cuja narrativa pretende dominar precocemente a memória do impeachment mostrando como um atentado à democracia, apesar de todo o processo ter sido legal, aprovado pelas duas casas do legislativo federal e abalizado pelo STF. Tal movimento de historiadores é composto, em sua maioria, por profissionais do serviço público, todos concursados (Aliás, o que Lula disse sobre os concursados? Ah, corruptos!), representantes da fina flor de nosso colegiado. Essa fina flor tão ciosa de suas regras teóricas e metodológicas parece que resolveu adotar a história do tempo presente como instrumento para analisar o momento do país. A história do presente, tão criticada por parecer mais um opção jornalística que instrumento histórico, pouco isenta por estar muito próxima ao objeto de pesquisa. Foi rapidamente abraçada, porque condiz com o sabor das paixões políticas. O distanciamento do objeto ficou para as aulas expositivas das universidades. Os “historiadores pela democracia” talvez seja um dos movimentos mais ridículos dos últimos tempos. Ele não tem nada de democrático, e aqueles que o compõe são intransigentes, orgulhosos e cheios de certezas, se questionados viram nossos inimigos. Dica, se não compactua com o establishment de esquerda de nossas universidades, nunca se exponha como um intelectual conservador para esse pessoal. Coitado daquele que cair numa banca de admissão de concurso público onde eles estejam.

Talvez o sonho desse povo seja uma república de filósofos, no estilo de Platão, ou dos iluministas. Sabe-se lá. Já que eles definiram, apesar de todas as provas, a legalidade de todo o processo. Então, nossa elite intelectual que com tantas certezas deveria está nos governando. O país precisa muito desses senhores e senhoras da verdade, pois se eles conduzissem a nação nada de mal nos aconteceria de novo. O Brasil seria o paraíso na terra. O certo é que eles já decidiram por uma narrativa de que é golpe. Triste fim para nossos historiadores e antropólogos, tão orgulhosos de seus estudos e de terem uma visão crítica das fontes e não conseguem interpretar os sinais dos tempos.

Figura: Livro que foi lançado pelos historiadores justificando a tese de golpe

No fim, esses intelectuais são tão humanos como nós, cheios de defeitos, dogmáticos, limitados por barreiras ideológicas que os circundam. Uma nota interessante sobre nossos “historiadores pela democracia” é a paixão que eles sentem pelos textos de Gregório Duvivier, observo isso pelas redes sociais. Sim, o escritor do senso-comum da classe média urbana, progressista e carioca. Para muitos deles Duvivier é um gênio da crônica geração atual, adjetivado como “ótimo”, “extraordinário”, “pura delicadeza”, etc. Só eu que percebo a sofisticação dessa gente se parece com reboco em parede velha? A tristeza me abate, pois no fundo nossos historiadores deveriam ficar como interpretes do passado e não como condutores do presente. E assim caminhamos.

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William Faramond, é apenas um doutorando de Humanidades revoltado.


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